Descaso ambiental
Fios de alta tensão matam animais silvestres
Macaco morreu eletrocutado no Parque Nacional de Itatiaia;
empresa responsável pela fiação já foi autuada, mas nada foi feito
Gabriel Menezes
Itatiaia
Animais silvestres estão morrendo no Parque Nacional de Itatiaia vítimas dos fios de alta tensão que cortam a reserva. De acordo com a administração do parque, a situação acontece há anos e, apesar das autuações a Ampla, empresa responsável pela fiação, nada foi feito para solucionar o caso.
A vítima mais recente apareceu no mês passado. Um macaco prego foi encontrado morto na BR-485, que passa dentro do Parque Nacional. O primata, que media 33 centímetros e pesava aproximadamente 600g, foi eletrocutado pelos fios de alta tensão.
De acordo com o laudo, a morte do macaco foi instantânea, e deixou ao seu redor os companheiros que o acompanhavam (seis macacos) inconsoláveis e emitindo sons de tristeza, que é uma importante função da vocalização destes primatas. Ao examinar o corpo do animal, os técnicos perceberam que de seus pés só restavam os ossos. A intensidade da descarga elétrica transmitida foi tão intensa que houve uma explosão ouvida na sede do Parque.
Segundo o chefe do parque, Walter Behr, a Ampla mantém um sistema perigoso de fiação elétrica dentro da reserva, e seguidamente adia a instalação da fiação moderna e mais segura ou do enterramento dos fios, que seria a melhor solução dentro de um Parque.
De acordo com Léo Nascimento, médico veterinário e analista ambiental do parque, os macacos prego e sauá são as maiores vítimas dos fios de alta tensão, por estarem sempre pulando entre as árvores. Uma coruja também morreu em conseqüência da descarga elétrica. "Já consegui salvar alguns animais, mas a maioria acaba morrendo devido à intensidade do choque", contou Léo, ressaltando que são cerca de oito quilômetros de fios de alta tensão cortando o parque.
Em seu parecer, o veterinário ressaltou que não é de hoje que a fauna do Parque Nacional do Itatiaia é eletrocutada. "Urge, portanto, que os fios elétricos sejam subterrados, a fim de evitar tais tragédias no ecossistema desta única reserva natural da Região das Agulhas Negras", destacou Léo.
A equipe do DIÁRIO DO VALE entrou em contato com a Ampla, que confirmou ter conhecimento do problema, mas até o fechamento desta edição não tinha se pronunciado sobre o assunto.
Parque foi inaugurado em 1937
O Parque Nacional do Itatiaia foi inaugurado em 1937, quando foi criado o primeiro Parque Nacional do Brasil, através do Decreto Federal nº 1.713, de 14 de junho, com uma área de 12.000 ha. Em 1982 ,sua área foi ampliada para 30.000 ha. As informações são do parque nacional.
As terras que hoje constituem o parque pertenciam a Irineu Evangelista de Souza, Visconde de Mauá, e foram adquiridas pela Fazenda Federal em 1908 para a criação de dois núcleos coloniais que, porém, não foram bem sucedidos, passando as terras para o Ministério da Agricultura, o qual, em 1929, criou uma Estação Biológica subordinada ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A idéia de transformação em Parque Nacional data de 1913, e foi aconselhada pelo botânico Alberto Lofgren.
Em dezembro do mesmo ano, José Umbmayer advogou interessadamente essa causa, através de uma conferência realizada na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, que contou com apoio de Derby Lofgren e o Barão Homem de Melo, conhecedores da região.
Somente em 1937 foi então criado o primeiro Parque Nacional do Brasil, através do Decreto Federal nº. 1713, de 14 de junho. O parque está localizado na divisa entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, na Serra da Mantiqueira. Ele divide-se em dois ambientes distintos. Na Parte Baixa os principais atrativos são o Lago Azul, Cachoeira Poranga, Piscina Natural do Maromba, Cachoeira Itaporani, Cachoeira Véu de Noiva, as pedras dos 3 Picos, Pedra de Fundação e Mirante do Último Adeus. Na Parte Alta os atrativos naturais mais conhecidos são o Pico das Agulhas Negras, Maciço das Prateleiras, Vale do Aiuruóca e Pedra do Altar.