ÁGUA: DONA DA VIDA




Terça-feira, Fevereiro 26, 2008



8º PRÊMIO DE REPORTAGEM SOBRE A BIODIVERSIDADE DA MATA ATLÂNTICA PROMOVE ENCONTRO SOBRE JORNALISMO AMBIENTAL E ABRE INSCRIÇÕES PARA CATEGORIAS IMPRESSO E TELEVISÃO COM EVENTO NO RIO DE JANEIRO

Bate-papo com as jornalistas Miriam Leitão e Vera Diegoli no dia 28 de fevereiro marca, também, lançamento de coletânea com reportagens vencedoras da última edição do concurso


A Aliança para a Conservação da Mata Atlântica (parceria entre as ONGs Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica) promove no dia 28 de fevereiro, às 11h, no Solar da Imperatriz do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, um bate-papo sobre jornalismo ambiental com as jornalistas Miriam Leitão (O Globo) e Vera Diegoli (Repórter Eco da TV Cultura). O evento marca a abertura das inscrições para a oitava edição do Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica e também o lançamento da coletânea com as reportagens vencedoras em 2007.

Com patrocínio exclusivo no Brasil da Colgate-Palmolive, por meio da linha de produtos Sorriso Herbal, o Prêmio recebe inscrições até o dia 22 de abril nas categorias Impresso e Televisão. As reportagens devem ter sido publicadas ou veiculadas no período de 1° de abril de 2007 a 31 de março de 2008.

Em 2007, o concurso teve 92 inscrições na categoria Impresso e 46 na categoria Televisão. A jornalista Miriam Leitão (em parceria com Sérgio Abranches) ficou em primeiro lugar na Categoria Impresso com a matéria "O rei da Mata Atlântica", publicada no Jornal O Globo (RJ), em agosto de 2006. E a reportagem vencedora na Categoria Televisão – "Expansão Urbana/Litoral" – foi produzida por Maria Zulmira de Souza e equipe da TV Cultura e veiculada em fevereiro de 2007 no programa 'Repórter Eco'.

Na Categoria Impresso, o segundo lugar ficou com o jornalista Sérgio Adeodato, pela reportagem "Uma Chance para a Mata Atlântica", publicada na revista Horizonte Geográfico. E a matéria "As sem-vertigem", de Liana John, publicada na revista Terra da Gente, ganhou o terceiro lugar. Na Categoria TV, o segundo lugar ficou com Beatriz Castro e equipe da Rede Globo (PE) pela matéria "O retorno a Murici", veiculada no programa 'Nordeste, Viver e Preservar'. As reportagens "RPPN" – exibida pelo programa 'Cidades & Soluções' e produzida por André Trigueiro e equipe da Globo News (RJ) – e "Mudanças / Lei" – exibida pelo 'Repórter Eco' e produzida por Márcia Bongiovanni e equipe da TV Cultura – ficaram empatadas em terceiro lugar.

A íntegra das reportagens finalistas pode ser conferida na coletânea e no DVD que serão lançados no evento no Solar da Imperatriz e que têm distribuição gratuita e dirigida.

Inscrições

Os interessados em participar do Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica podem se inscrever pelo site www.premioreportagem.org.br, por email ou pelo correio. As matérias impressas devem ser enviadas em formato Word, acompanhadas do original publicado. E as reportagens de TV devem ser gravadas em DVD. O vencedor do primeiro lugar em cada uma das categorias irá participar de um evento internacional sobre jornalismo e/ou meio ambiente. Os segundos e terceiros colocados em cada categoria receberão R$ 5.000 e R$ 2.500, respectivamente.

Iniciativa da Conservação Internacional realizada em 14 países, o Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade é promovido no Brasil desde 2001 pela Aliança para a Conservação da Mata Atlântica em parceria com o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ), a Federação Internacional de Jornalismo Ambiental (IFEJ) e a Fundação Biodiversidad.

Aliança para a Conservação da Mata Atlântica

Parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica e a Conservação Internacional, a Aliança para a Conservação da Mata Atlântica existe desde 1999 e tem como principais atividades o Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica, o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF Mata Atlântica) e o Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural da Mata Atlântica.

Mais informações sobre o Prêmio: www.premioreportagem.org.br

CONTATO PARA ENVIO DAS INSCRIÇÕES
Ana Ligia Scachetti

Gerente de Comunicação
Fundação SOS Mata Atlântica
Rua Manoel da Nóbrega, 456, Paraíso
04001-001 São Paulo – SP
Tel. (11) 3055-7881 / 7888
E-mail: comunicacao@sosma.org.br

Assessoria de imprensa
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Sábado, Fevereiro 23, 2008



Mata preservada em rios precisa dobrar

Estudo em MT mostra que animais fogem de áreas de preservação permanente estreitas; cientista pede mudança na lei

Tamanho ideal deve ser de 400 metros de largura para rios pequenos, muito acima do que exige atualmente o Código Florestal do país


EDUARDO GERAQUE

DA REPORTAGEM LOCAL

No Congresso Nacional, projetos visam a diminuir as áreas de proteção florestal na Amazônia. No mundo real, cientistas acabam de estimar que, na verdade, pelo menos as áreas de proteção permanente localizadas ao lado dos rios precisam ser alargadas, e muito.
Um estudo liderado pelo ecólogo Carlos Peres, 44, belenense há 13 anos na Inglaterra, mostra que o tamanho mínimo para que a mata de galeria possa preservar a biodiversidade local é de 400 metros de largura, 200 metros de cada lado.
"Nós medimos 200 corredores e só 14% deles têm esse tamanho de mata de galeria ideal", afirma Peres, professor da Universidade de East Anglia, à Folha. O cientista acaba de publicar um artigo sobre o estudo feito no Brasil na revista "Conservation Biology".
Para chegar as dimensões ideais da mata de galeria, os pesquisadores investigaram a riqueza da fauna de 37 locais durante seis meses. Todas as áreas amostradas ficam no município de Alta Floresta (MT). Elas estão espalhadas por um terreno de 6.000 km2.
"Claro que não é apenas a largura que importa. É fundamental que essa mata seja bastante preservada. Muitas vezes, o proprietário da terra permite que o gado paste nessas áreas e que ocorra também a exploração seletiva de madeira."
Depois de analisar a estrutura dos bosques escolhidos para a análise e de contar o número de espécies de aves e mamíferos que freqüentavam as matas de galeria, os cientistas fizeram gráficos, cruzando essas variáveis, para saber a medida ideal da área a ser preservada.

Politicamente possível
"É bom dizer que essa análise, em termos biológicos, mostra que o ideal é 400 metros. Porém, em termos políticos, sei que isso pode ser impossível de ser obtido", explica Peres.
Ainda assim, diz o pesquisador, daria para fazer uma "concessão". Seria possível estabelecer que a obrigação legal das áreas de preservação permanente ao lado de rios passem a ter, pelo menos, 100 metros de cada lado. "Isso é dez vezes mais do que a legislação prevê em algumas situações", diz o pesquisador brasileiro.
Pelo Código Florestal brasileiro, os rios com menos de 10 metros de largura precisam ter uma mata de galeria de 30 metros de largura de cada lado. Essa obrigação varia de 10 metros a 50 metros de largura, para cursos d'água com um largura aproximada de 50 metros.
Em todos os bosques, 24 deles conectados a outros fragmentos florestais e oito sem ligação alguma com outras zonas de preservação (os cinco restantes foram analisados para efeito de comparação), foram identificadas, no total, 365 espécies de aves e 27 de mamíferos, sendo cinco de primatas.
Mas nas matas de galeria estreitas, com menos de 200 metros de largura, e sem conexão com outros trechos de floresta, a situação é mais crítica. Apenas um terço das espécies de pássaros e um quarto dos mamíferos vivem com freqüência nessas regiões, em comparação com os corredores mais largos.

Impacto bovino
O estudo das áreas de galeria também flagra, com clareza, a presença de rebanhos bovinos no norte de Mato Grosso.
A marca dos bois foi identificada no campo em 70% dos corredores conectados com outros pedaços de florestas e em 89% das zonas isoladas. Quanto ao fogo, ele esteve presente, respectivamente, em 16% e 2% das áreas. "Quanto ao gado, não tem jeito. É preciso impedir a entrada dele", disse.

Fonte: Folha de São Paulo




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