ÁGUA: DONA DA VIDA




Sexta-feira, Junho 30, 2006



Folhas da mata atlântica abrigam zôo microscópico
Cada tipo de planta do ecossistema pode ter quase 700 espécies de bactéria

Estimativa sugere que 97% desses micróbios ainda não foram descritos pela ciência; floresta poderia contar com diversidade igual à do mar


REINALDO JOSÉ LOPES

DA REPORTAGEM LOCAL

Ao que tudo indica, a biosfera, como é conhecido o conjunto dos seres vivos da Terra, tem uma região altamente subestimada, a filosfera. Explica-se: o nome é dado à superfície das folhas das plantas, e um grupo de cientistas no Brasil e nos EUA acaba de mostrar que três espécies de árvore da mata atlântica provavelmente abrigam, cada uma, centenas e centenas de tipos de bactéria.
Nem o mais experiente dos biólogos conseguiria citar de nome todos os habitantes desse zoológico, por uma razão muito simples. Estima-se que 97% dessas espécies seja completamente desconhecida da ciência. Se você soltou um sonoro "humpf!" diante da informação, é bom considerar o que ela implica. Se cada uma das 20 mil espécies de planta da mata atlântica abrigar um bestiário parecido em suas folhas, a soma total de tipos de bactéria no ecossistema ficaria entre 2 milhões e 13 milhões. O oceano inteiro da Terra tem "só" 2 milhões de espécies, segundo as estimativas mais recentes.

Conservador

"Mesmo levando em conta todas as incertezas, a gente provavelmente está sendo conservador nessa estimativa. A diversidade é muito grande", declarou à Folha Marcio Lambais, da USP de Piracicaba. Ele é um dos autores do estudo, publicado na edição de hoje da revista americana "Science".
Lambais explica que o mapeamento das bactérias da filosfera de ecossistemas naturais, como a mata atlântica, ainda está por ser feito. "A maioria dos estudos até agora enfocaram plantas cultivadas, como a cevada e o trigo."
O problema básico a ser enfrentado num levantamento desses é que entre 95% e 99% das bactérias não "aceitam" ser cultivadas em laboratório, dificultando sua identificação. Por isso, Lambais e seus colegas Ricardo Ribeiro Rodrigues, também da USP de Piracicaba, e David Crowley, da Universidade da Califórnia em Riverside, removeram as bactérias das espécies de árvore e extraíram o DNA delas em bloco.
Depois, partiram para uma análise mais refinada, "lendo" fragmentos de DNA correspondentes a um gene usado para estimar o grau de parentesco entre espécies bacterianas. Com base nisso, eles estimam que cada tipo de planta tenha em suas folhas entre 95 e 671 bactérias diferentes. O importante é que apenas 0,5% dessas espécies é comum às três plantas. É como se a filosfera de cada uma delas fosse um ambiente em si, com diferentes desafios e oportunidades.
As implicações práticas do trabalho estão longe de ser microscópicas. "Essa diversidade genética também deve corresponder a uma diversidade metabólica", diz Lambais. Entre tantos microrganismos desconhecidos, é grande a possibilidade de haver muitas substâncias e processos de interesse médico, industrial ou agrícola. Tanto a análise de DNA quanto o cultivo em laboratório dos micróbios deve revelar várias surpresas desse tipo.
O trabalho integra o Programa Biota, projeto de mapeamento da biodiversidade financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Leia mais sobre diversidade de bactérias www.microbeworld.org


Novo programa busca recuperar zona costeira
DA REDAÇÃO

Será lançado hoje pela Fundação SOS Mata Atlântica o Programa para Conservação das Zonas Costeira e Marinha sob Influência do Bioma Mata Atlântica. O projeto irá fazer inicialmente o diagnóstico da situação ambiental da costa brasileira, desde o delta do Parnaíba, no Piauí, até o arroio Chuí, no Rio Grande do Sul.
A ONG ambientalista já conta com R$ 1 milhão, doação da empresa mineroquímica Copebrás, para tocar a fase inicial do projeto. Depois da fase de diagnóstico, deve ser lançado em novembro um edital para definir a distribuição da verba para projetos em áreas prioritárias do litoral brasileiro.
A intenção é proteger e recuperar trechos de estuários, manguezais e restingas, essenciais para a biodiversidade costeira e muito degradados no país.

Fonte: Folha de São Paulo - Ciência





Domingo, Junho 11, 2006



Hagua
Seu Jorge
Composição: Seu Jorge, Gabriel Moura e Jovi Joviniano


O seco deserto esta tomando conta do planeta
Água doce bebível potável está acabando
Poluição, devastação, quimadas
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente
Segundo previsões dos cientistas
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna
O tempo vai secar
O sol vai cárcume
E água pra beber
Não vai ter
E água pra lavar
não vai dar
Água pra benzer
E água pra nadar
Nada, nada





Quinta-feira, Junho 08, 2006



FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA LANÇA PRIMEIRO VIVEIRO COMUNITÁRIO COM PRODUÇÃO DE 400 MIL MUDAS NATIVAS/ANO E ENVOLVIMENTO DE 20 FAMÍLIAS

PROJETO TEM PARCERIA COM A PREFEITURA DE RESENDE E PATROCÍNIO DO BANCO BRADESCO E VOLKSWAGEN CAMINHÕES


A Fundação SOS Mata Atlântica inaugura na próxima segunda-feira (12 de junho) seu primeiro viveiro comunitário. O projeto pioneiro fica na cidade de Resende (RJ), envolverá 20 famílias no trabalho e produzirá cerca de 400 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica por ano. Patrocinado pelo banco Bradesco e a Volkswagen Caminhões, o viveiro é desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Resende. "O Sul Fluminense é uma área que precisa de reflorestamentos urgentes e há pouca produção de espécies nativas por lá, por isso resolvemos mostrar esta possibilidade de geração de renda e ao mesmo tempo facilitar o processo de restauração florestal na região", comenta Adauto Basílio, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica e idealizador do projeto.

O objetivo principal do viveiro comunitário é viabilizar ações de recuperação e proteção das nascentes e matas ciliares nas propriedades rurais, públicas e privadas no município de Resende e outros do Sul Fluminense. A produção de mudas permite que a Fundação possa levar com mais intensidade para a região as ações dos programas Clickarvore e Florestas do Futuro. A área beneficiada é a da Bahia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, que é responsável pelo abastecimento de cerca de 8 milhões de pessoas da região metropolitana do Rio de Janeiro. "Os plantios desses programas são realizados prioritariamente em matas ciliares, aquelas localizadas às margens dos rios e que garantem a proteção das águas", explica Basílio.

A implantação deste Viveiro Comunitário inclui também a capacitação de mão de obra local e a instituição de um sistema de cooperativa/associativismo para que o empreendimento possa buscar sustentabilidade econômica e financeira para promover a geração de renda dos integrantes. Serão, ainda, desenvolvidas ações de educação e sensibilização para minimizar as ameaças sobre as nascentes e matas ciliares existentes na região, envolvendo a sociedade para a proteção e conservação dos recursos hídricos.

Mais informações sobre os programas de restauração florestal da Fundação SOS Mata Atlântica podem ser obtidos nos sites www.clickarvore.com.br e www.florestasdofuturo.org.br.

Informações para imprensa:
Ana Ligia Scachetti - comunicacao@sosma.org.br
- fone (11) 3055-7881






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