ÁGUA: DONA DA VIDA




Sexta-feira, Junho 25, 2004



MANIFESTO PÚBLICO


O MEP-VR (Movimento Ética na Política) e o Projeto Um Olhar para o Rio Paraíba do Sul, vêm a público manifestar preocupação com a notícia de que o Escritório Técnico do CEIVAP estará encerrando os trabalhos no próximo dia 30 de junho de 2004.

Acompanhamos de perto o trabalho do Escritório e temos verificado o quão importante é o trabalho desenvolvido pela equipe na execução da política nacional de recursos hídricos na Bacia do Rio Paraíba do Sul, através da gestão descentralizada e participativa.

O MEP que já demonstrava preocupações com a questão ambiental, recebeu um incentivo ainda maior quando da realização de um curso de recursos hídricos, voltado para a lideranças comunitárias, organizado a partir do Escritório Técnico do CEIVAP, que através deste e outros cursos, já capacitaram em torno de 500 pessoas, entre técnicos de prefeituras, de empresas e de representantes da sociedade civil.

O Projeto Um Olhar para o Rio Paraíba do Sul surgiu inclusive a partir deste curso que tem desde o início a parceria do CEIVAP, representado pelo Escritório Técnico do comitê.

Nos estranha o fato de que em sua última reunião realizada no dia 09 de junho de 2004, o CEIVAP tenha decidido pelo prosseguimento do convênio com a Agência Nacional de Águas (ANA) que mantém o funcionamento do Escritório Técnico e no entanto a ANA tem manifestado-se contrário ao prosseguimento do mesmo.

Gostaríamos de deixar uma pergunta no ar: A Agência Nacional de Águas pode tomar uma decisão contrária ao que um Comitê decide? A gestão não
é descentralizada e participativa?

É importante informar que o recurso para manter o Escritório funcionando é da cobrança pelo uso da água, ou seja, recurso da Bacia.

Lamentamos ainda que com a notícia anexa do destaque, estando entre as 40 "Melhores Práticas em Gestão Internacional" que o trabalho desta equipe não esteja sendo respeitado e reconhecido.

Por último, gostaríamos de colocar o MEP e o Projeto à disposição para colaborar na solução desta questão.

Na defesa da Água:Dona da Vida, despedimo-nos.

Atenciosamente,

José Maria da Silva
Coordenador do MEP-VR

Raquel Cristina de Almeida
Coordenadora do Projeto "Um Olhar para o Rio Paraíba do Sul"

Volta Redonda, 24 de junho de 2004.



Leia aqui a notícia na íntegra:

Ceivap concorre a prêmio internacional





Terça-feira, Junho 08, 2004



RESULTADO

SONDAGEM POPULAR


Resultado da 10º Sondagem Popular do MEP, sobre o Córrego Secades, realizada entre os dias 1º e 5 de junho. Com o lema "saber cuidar do seu espaço", mais de 300 pessoas residentes nos bairros Boa Vista II, 9 de abril, Santa Inês e 207 participaram respondendo o questionário.



1. Você sabe o nome do córrego que passa por seu bairro?

Sim (30% )

Não sabem (65%)

Não responderam (5 %)


2. Você e/ou alguém residente em sua casa, já viu algum tipo de animal dentro e/ou perto do córrego?

Sim (90 %)*
Não (10 %)

Tipos de animais:

Cachorro morto (30 %)

Ratos ( 30%)


Gato morto (10%)

Porco (5 %)

Cavalo morto (5%)

Outros (10%)
No item "Outros" são incluídos os pássaros, cobras, escorpiões...

3. Que tipo de lixo você já viu dentro do córrego?

Sacolas de lixos (30%)

Garrafas Pet (25%)


Pneus ( 5%)

Bananeiras/matos (15 %)

Entulhos de obras (15%)

Outros (10%)


Sofá jogado no leito do córrego


4. Que sugestões você daria para melhorar o aspecto do córrego?

Conscientização dos Moradores (30%)

Limpeza periódica do Córrego (25%)

Canalização/cobertura do Córrego (20%)


Colocar grade de proteção (10%)

Fiscalização com multa (10%)

Outras ( 5%)

Em nenhum momento foi citada a necessidade do tratamento do esgoto.
O dado assustador de 20% solicitando a canalização se justifica de três formas:
1. Ausência de área de lazer. Algumas pessoas indicam a área como alternativa de construção.
2. Cobrindo o rio, elimina-se o problema, inclusive de odor.
2. A canalização do córrego possibilita a correnteza levar o lixo jogado em seu leito, sem ter noção de que, em algum momento, o lixo chegará em outro lugar, prejudicando, inclusive a saúde dos moradores.



Os ambientalistas presentes na divulgação da pesquisa e a Comissão Verde do MEP observam o correo, orientam e tiram dúvidas da população


5. Você seria capaz de chamar atenção( questionar) de alguém por estar destruindo o meio ambiente?

Sim (30%)

Não* (50%)

Não sabem (10 %)

*Muitos justificaram que não fariam com receio da violência do outro.

Nenhum entrevistado assumiu jogar o lixo no córrego


Membros da Comissão Verde do MEP conversam recebedo denúnicias e ouvem histórias de moradores antigos sobre a situação do córrego.


6. Sexo:

Masculino (45% )

Feminino ( 55% )

7. Faixa Etária:

15 a 25 anos - 25%

26 a 40 anos - 35%

41 a 60 anos - 30%

acima de 61 anos - 15%


Volta Redonda, 8/06/04.

COMISSÃO VERDE DO MEP-VR

Deixe sua opinião nos comentários. Diga-nos se o rio do seu bairro ou da sua cidade está em situação parecida. E não deixe de ler as opiniões que já estão lá

Em breve será concluida a formatação do texto e serão inseridos os pareceres de ambientalistas que acompanharam a divulgação dos resultados, além de fotos do local.




Segunda-feira, Junho 07, 2004



Notícias sobre a Semana do Meio Ambiente na Região


Ampas lança programa "Gotas em Ação" durante Expo VR

VOLTA REDONDA

A Associação de Usuários das Águas do Médio Paraíba do Sul (AMPAS) lançou na tarde de sábado o programa Gostas em Ação, que consiste na criação de um modelo para a gestão de recursos hídricos, a ser implantada no Brasil. O lançamento regional aconteceu em Barra Mansa, mas segundo o coordenador adjunto da Ampas, Hendrik Mansur, todas as cidades participantes da associação vão ter um lançamento local. Na cidade do Aço o evento ocorreu na tarde de sábado, durante a Exposição Agropecuária, Industrial e de Meio Ambiente de Volta Redonda. ¿Vamos lutar pela preservação e recuperação do Rio Paraíba do Sul, para isso serão distribuídos 40 mil folders, 700 camisas, cinco mil lixeiras para automóveis. O objetivo é disseminar a idéia de preservar o Rio Paraíba e sua importância para a região¿, conta Hendrik. Além disso, as cidades participantes da Ampas estão realizando projetos que mais tarde vão ser realizados nos demais municípios. ¿Volta Redonda, por exemplo, tem um programa de rede de água, que acontece em 12 escolas¿, diz o coordenador.
A Ampas é um organismo específico voltado às questões de recursos hídricos, de âmbito regional. A finalidade da entidade é dar apoio à política e ao sistema de gerenciamento ambiental, nacional e do Estado do Rio de Janeiro, além de outras ações que envolvam a bacia do Rio Paraíba do Sul e suas respectivas sub-bacias.

CONSCIENTIZAÇÃO
Unidos em prol do meio ambiente
Atividades sociais e culturais marcam comemorações do dia mundial em cidades do Sul do Estado

Comemoração acontece hoje em Resende

Visita a Peugeot inclui várias atividades

Evento na Matriz comemora Dia Mundial do Meio Ambiente


Barra Mansa


A Coordenadoria de Meio Ambiente da prefeitura promoveu no último sábado, na Praça da Matriz, no Centro, um evento para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente - 5 de junho. Cerca de 15 entidades participaram do evento, entre escolas, órgãos da prefeitura, empresas e associações ambientais, que desenvolvem projetos na área de Educação Ambiental.





Sábado, Junho 05, 2004





Mensagem do Diretor Geral da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Koichiro Matsuura, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente

Procuram-se Mares e Oceanos - Vivos ou mortos?


Os oceanos do planeta e seus mares adjacentes, assim como os recursos biológicos e não biológicos que contêm, são essenciais para a sobrevivência da vida tal como a conhecemos. A sustentabilidade do ar que respiramos, a água que bebemos, os alimentos que ingerimos e o clima em que vivemos depende da saúde dos nossos oceanos e mares.

As áreas costeiras que bordam os oceanos e os mares são o habitat de 50% da população mundial. Quarenta e quatro dos países do mundo são Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento que dependem especialmente dos oceanos. Nos oceanos, as costas e ilhas são suporte para uma enorme gama de atividades humanas de grande valor e importância. A pesca, por exemplo, é uma atividade econômica e social importe, que sustenta direta e indiretamente a 400 milhões de pessoas. A agricultura marinha é uma industria que cresce rapidamente e representa 30% do consumo mundial de pescado. Além do mais, a indústria de viagens e turismo é o setor da economia mundial que cresce com maior rapidez, especialmente em áreas costeiras e marinhas.

As distintas atividades realizadas nos oceanos, costas e ilhas exercem uma pressão cada vez mais intensa na integridade dos ecossistemas costeiros e marinhos, cujos recursos vêm sendo ameaçados por exploração demasiada. Na atualidade, 75% dos recursos pesqueiros mundiais são explorados plenamente ou em excesso; 70% das 126 espécies de mamíferos marinhos estão ameaçadas; 50% dos mangues do mundo foram perdidos; e estão sendo destruídos rapidamente importantes habitats de. A busca de segurança alimentar para uma população humana crescente está levando a produção agrícola intensiva baseada em uma maior utilização de fertilizantes, pesticidas, herbicidas, contribuindo assim para deterioração dos ecossistemas costeiros e marinhos.

O meio ambiente marinho é complexo e inacessível. É difícil e caro estudá-lo. Além disto, as jurisdições nacionais e internacionais, acordos regionais e globais e prioridades conflitantes trazem mais complicações. Como resultado, cooperações inter-governamentais são necessárias se as conseqüências globais tiverem que ser encaminhadas e resolvidas. Isso requer instituições globais e regionais fortes que tragam cientistas, pesquisas e mentores políticos juntos. Requer também o envolvimento e a participação integral de comunidades locais e investidores que têm relação direta com o ambiente marinho e sua proteção. Além disso, os futuros avanços relativos aos oceanos, como a exploração e o gerenciamento de recursos recentemente acessíveis, seguramente irão requerer um planejamento coerente e integrado de cooperação internacional e uma gestão cuidadosa dos ecossistemas frágeis.

A proteção dos oceanos e dos mares é um tema que interessa particularmente a UNESCO. A Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, única organização das Nações Unidas especializada em ciências e serviços oceânicos, tem se dedicado plenamente durante os últimos 44 anos a melhorar nossa compreensão dos oceanos e seus recursos, em particular agregando países e interlocutores para estabelecer um Sistema Mundial de Observação dos Oceanos.

A UNESCO sempre tem procurado trazer o poder da ciência e tecnologia para sustentar as necessidades dos oceanos, costas e ilhas, e isto requer que os resultados da ciência se tornem amplamente disponíveis aos governos e distintos segmentos da sociedade. Além do mais, a UNESCO tem posto grande ênfase na necessidade de preservar nosso patrimônio natural e cultural comum. De fato, a combinação entre ciência e cultura, patrimônio natural e cultural, e desenvolvimento socioeconômico e proteção ambiental colocam a UNESCO no centro dos esforços atuais para garantir o desenvolvimento sustentável dos oceanos, costas e ilhas.

Na Conferência Mundial de Desenvolvimento Sustentável, celebrada em agosto e setembro de 2002, os governos acertaram um plano de ação, com determinados objetivos e calendários de atividades, para tentar sanar os múltiplos problemas e ameaças que enfrentam o desenvolvimento sustentável dos oceanos, costas e ilhas. Estes objetivos e calendários representam um consenso mundial importante, alcançado ao nível político mais alto, sobre a necessidade de adotar medidas urgentes. O pressuposto em que se baseia este programa de ação é o de que o mundo é ainda capaz de adotar decisões pertinentes, ainda que haja pouco tempo para isso. Com efeito, se fizermos muito pouco e muito tarde, teremos optado por deixar morrer nossos oceanos e mares.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a UNESCO reafirma seu compromisso para com o desenvolvimento sustentável em geral, e com o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio ambiente oceânico em particular. Frente às sombrias alternativas que se colocam a nós, é indispensável adotar decisões oportunas e com conhecimento de causa para que nossos oceanos, mares e ilhas sigam vivos.





Quarta-feira, Junho 02, 2004



O Projeto Ambiental "Um Olhar para o Rio Paraíba do Sul" estará no stand do SAAE-VR, na XII EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL E AMBIENTAL DE VOLTA REDONDA, de 02 a 06 de junho.

Voluntários estarão à disposição para informações sobre as atividades do projeto e expostos material para consulta (resumo do projeto, histórico, reportagens), fotos e charges de artistas da reunião com o tema água.

Horário de funcionamento dos stands:

02 a 04 (quarta a sexta) - 18h às 23h
05 (sábado) - 14h às 23h
06 (domingo) - 12h às 23h


MEP REALIZA A 10ª SONDAGEM POPULAR SOBRE SITUAÇÃO DE CÓRREGO EM VR
Lema "Saber Cuidar do seu Espaço"

O MEP com apoio das Comunidades Eclesiais, deu inicio a mais uma Sondagem Popular a ser realizada entre os dias 1 a 5/6/04, nas imediações do Córrego Secades. O Córrego, localizado na macro região do Setor Conforto, corta vários bairros. O objetivo é despertar na população das imediações um novo olhar, com vista a conhecer e apontar sugestões para construção de políticas ambientas para preservação do Córrego. A previsão é de realizar mais de 300 entrevistas. No questionário, cinco perguntas despertarão nos jovens e adultos atenção para o afluente do Rio Paraíba.

O Lema: "Saber cuidar do seu espaço", será a tônica para participação dos cidadãos/ã na 10º Sondagem. É a contribuição do MEP na Semana do Meio Ambiente. O resultado da Sondagem será apresentado à imprensa e a comunidade no dia 8/6/04, às 10:00h, no Salão Comunitário da Igreja Católica Santa Inês , em Volta Redonda.

Para o evento serão convidados representantes das Ong's ambientais, membros da Campanha da Fraternidade - Água Fonte de Vida e biólogos parceiros do movimento.
Contamos com a presença de todos.

Articulação: Comissão Verde do MEP-VR Contato: mepvr@hotmail.com - Telefone: (24) 3346 6721

Notícias


Encontro ambiental aponta Brasil como crucial no futuro

Angela Pimenta
De Nova York

Organizadores pedem estratégia para a Amazônia
Uma conferência encerrada na terça-feira em Nova York colocou o Brasil no centro dos riscos, desafios e oportunidades ambientais contemporâneos.


"Num mundo cada vez mais inter-dependente, o futuro do Brasil, que possui a maior floresta e o maior número de espécies vivas do planeta é crítico para todo o mundo", disse o zoólogo Edward Wilson, professor da Universidade de Harvard.
"Precisamos elaborar uma estratégia completa de desenvolvimento sustentável para a Amazônia", acrescentou Jeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, e organizador da conferência, intitulada "O Estado do Planeta".
"É preciso que o Brasil e seus países vizinhos da Amazônia formulem uma política que contemple as necessidades dos milhões de habitantes da bacia, além de preserver os ciclos hidrológicos e seus ecossistemas. E é justo dizer que tal estratégia nunca existiu", disse Sachs.

Aquecimento

O evento reuniu a elite das ciências ambientais, além de representantes de governos, empresas privadas, ONGs e organismos multilaterais.
A conferência se concentrou em quatro áreas: energia, alimentação, água e saúde.
Causado pela crescente emissão de combustíveis fósseis na atmosfera, o aquecimento terrestre ocupou boa parte dos debates.
De acordo com Robert Watson, cientista-chefe do Banco Mundial, a temperatura do planeta vai aquecer significativamente no próximo século, causando inundações, secas, além do aumento de pragas, quebra de safras e doenças tropicais, como dengue e malária.
"No Brasil estamos prevendo um aquecimento médio entre 2ºC e 5ºC nos próximos anos", disse Watson.
Ele afirmou que o aumento da temperatura deverá agravar as secas no Nordeste brasileiro, mas que, a grande incógnita sobre o país é o impacto do aquecimento no regime de chuvas da Amazônia.

Crítica

Já do ponto de vista político, Watson disse que "o Brasil é extremamente bem integrado."
"Trata-se de um país com uma atuação das mais importantes em termos da contenção das mudanças climáticas."
Por outro lado, o governo de George W. Bush foi duramente criticado durante a conferência por abandonar o Protocolo de Kyoto, a convenção climática assinada por 160 países em 1997 no Japão, com o objetivo de limitar as emissões de gás carbônico.
Provocando risadas na platéia, o cientista-chefe do Banco Mundial lembrou que o governo Bush alegou que abandonaria o acordo de Kyoto em função da incerteza científica sobre a mudança do clima.
"A Casa Branca emprega o princípio precaucionário para todas as sua relações internacionais, exceto para os padrões ambientais", disse Watson.

Soluções

De acordo com os cientistas, preservar o planeta é um investimento relativamente barato.
"Se resolvêssemos preservar todos os ecossistemas mais ameaçados do planeta, isso representaria um desembolso único de US$ 38 bilhões", disse o zoólogo Edward Wilson.
Jeffrey Sachs afirmou que uma pequena fração do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, que atinge cerca de US$ 40 trilhões, seria suficiente para solucionar flagelos como fome, doenças e o desmatamento.
"Neste ano, os Estados Unidos estão gastando US$ 450 bilhões com seu orçamento militar e apenas US$ 13 bilhões em assistência ao desenvolvimento de países pobres." afirmou Sachs.
"Essa política é extremamente perigosa para a nossa própria segurança."
"É preciso usarmos a razão, recursos tecnológicos e vontade política, e vencermos o medo que os países ricos "principalmente os Estados Unidos" têm dos demais povos." concluiu.

Fonte: BBC Brasil





Efeito estufa 'põe em perigo um milhão de espécies'


O lagarto Hypsilurus boydii, uma espécie australiana, está perdendo seu habitat

Uma equipe de cientistas advertiu que o aquecimento global poderá levar à extinção de 25% das espécies existentes de plantas e animais ainda neste século.

Os pesquisadores, que publicaram suas conclusões na revista Nature, dizem que até um milhão de espécies podem desaparecer até 2050, à medida em que o meio onde vivem se torne inabitável por causa do efeito estufa.

Os esforços destas espécies para encontrar novos habitats serão limitados pelo desenvolvimento humano e outros fatores.

Entre as espécies em perigo está uma espécie de árvore brasileira encontrada no cerrado, a ucuúba (Virola sebifera), e a flor-símbolo da África do Sul (Protea cynaroides).

Biodiversidade

Os autores do estudo Risco de Extinção por Mudanças Climáticas analisaram seis regiões ricas em biodiversidade, representando 20% da área do planeta.


A ucuúba, uma árvore que cresce no cerrado brasileiro e que pode estar com os dias contados

Para o estudo foram utilizados modelos de computador que simularam como uma gama de 1.103 espécies ¿ plantas, mamíferos, aves, répteis, sapos, borboletas e outros invertebrados ¿ deverão se comportar em resposta às mudanças na temperatura.

Os cientistas consideraram três possibilidades diferentes de mudança climática - mínima, média e máxima - usando os cenários com base em informações do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas.

Eles também verificaram se animais e plantas podiam se tranferir para novas áreas.

A conclusão foi que de 15% a 37% de todas as espécies nas regiões estudadas poderiam ser extintas pelas mudanças climáticas até 2050.

No caso da Virola, o estudo prevê que a expécie esteja completamente extinta dentro de 46 anos.

Para outras espécies - como a de um pássaro hoje só encontrado na Escócia, o cruza-bico-escocês (Loxia scotica) - a única esperança de sobrevivência é a imigração para outros lugares.

Fonte: BBC Brasil




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