Laboratório de
Hidrologia e Estudos de Meio Ambiente
COPPE/UFRJ
Quinta-feira, Abril 22, 2004
22 de Abril
DIA DA TERRA
Segundo noticiário da imprensa, o "Dia da Terra" foi criado em 1970, quando o Senador norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. A partir de 1990, outros países passaram a celebrar a data.
É sempre oportuno realçar que "A Terra é um planeta girando no espaço e se forem esgotados seus recursos, indispensáveis à subsistência humana, não haverá como repô-los". Diariamente, os 6 bilhões de pessoas que nela vivem devem refletir que o desperdício de qualquer recurso natural, no momento, redundará em prejuízo para as gerações futuras.
Vou publicar as poucos a série de reportagens sobre o Rio Paraíba do Sul que saiu no Jornal O Globo (Post de 14/04/2004). Quem desejar recebê-las, é só pedir e-mail. Outra opção é ir ao sitewww.oglobo.com.bre digitar Rio Paraíba do Sul no sistema de busca.
O Dia da Terra será comemorado hoje, 22, pelo Ministério do Meio Ambiente, com o lançamento da versão impressa e do CD- Rom contendo as deliberações da 1ª Conferência Nacional do Meio Ambiente e da Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente. A ministra Marina Silva participa das comemorações, às 9h30m, no auditório 1 do edifício sede do Ibama, quando apresentará, também, a proposta do Programa Nacional de Educação Ambiental.
A 1ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, realizada em novembro do ano passado, mobilizou, em sua fase preparatória, mais de 60 mil pessoas no segmento adulto e milhares de jovens para o encontro infanto-juvenil. Entre os meses de abril e outubro de 2003, foram realizadas reuniões, com representantes da sociedade e estudantes nos estados, para debater o texto base e eleger os cerca de dois mil delegados que participaram do encontro nacional e aprovaram o documento final.
Além do volume impresso com os resultados dos encontros, será apresentado um CD-Rom, com o relato completo e detalhado dos processos preparatórios, nos estados e em Brasília. São fotos e vídeos que mostram a Feira de Negócios Solidários, os eventos culturais paralelos e todas as atividades desenvolvidas durante a 1ª Conferência Nacional.
Clique AQUI e leia o que a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, fala sobre este dia.
Quarta-feira, Abril 14, 2004
O jornal O Globo está publicando desde domingo uma série de reportagens sobre o Rio Paraíba do Sul.
MORTE ANUNCIADA: EXISTÊNCIA DE 300 REPRESAS COM REJEITOS INDUSTRIAIS POLUENTES DO LADO MINEIRO PREOCUPA FEEMA
11/04/2004
Cataguazes ainda não tratou resíduos tóxicos
Um ano após tragédia nos rios Pomba e Paraíba, restam 1 milhão de litros de licor negro nos reservatórios
A imagem de peixes pulando para fora dos rios Pomba e Paraíba do Sul, sufocados com o vazamento de 1,2 milhão de litros de um licor negro tóxico proveniente de um vazamento na Indústria Cataguazes de Papel, ainda está viva na memória da população ribeirinha. Um ano depois da tragédia, eles ainda sentem os danos ambientais e, sobretudo, temem que o pesadelo se repita, já que até hoje os reservatórios da indústria falida ainda estão cheios e os resíduos não foram tratados.
Serla: Estado do Rio não corre risco
O presidente da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), Ícaro Moreno Júnior, vistoriou a indústria no mês passado e confirmou que os reservatórios ainda estão com o resíduo tóxico sem tratamento. Ele afirma, no entanto, que as obras realizadas nos dois tanques afastaram o risco de um novo acidente:
- Fizeram a recuperação do reservatório que rompeu e do outro, que estava quase rompendo. Mas ainda há obras a fazer e os resíduos industriais não foram tratados e estão nos reservatórios. Eles apresentaram um sistema de tratamento biológico dos resíduos que não foi aprovado pelo governo do Rio nem pelo de Minas.
Ícaro disse que a empresa alegou problemas com chuvas para justificar o atraso das obras e vai tentar firmar novo Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de Minas Gerais para ampliar o prazo das obras, acertado inicialmente para durar apenas dois anos:
- O tratamento dos resíduos já deveria ter sido iniciado, já que é apenas a primeira de três fases. Depois, ainda terão que esvaziar e fechar os reservatórios. Mas, diante do atraso, está bom se a obra acabar até o fim do governo.
A presidente da Feema, Isaura Fraga, está preocupada com o estado de outros reservatórios semelhantes existente em Minas Gerais, próximos a afluentes do Paraíba do Sul:
- Há mais de 300 represas desse tipo, que aumentam seu passivo ambiental a cada chuva, já que o resíduo se mistura à água. Estamos pedindo ao governo de Minas um levantamento dos reservatórios.
Enquanto isso, na pequena Aperibé, próxima ao Rio Pomba, o pescador Anílson Silva Oliveira, o Nem, de 36 anos, mostra no anzol, de um barco no meio do Rio Pomba, as marcas do acidente de 29 de março do ano passado, que destruiu a biodiversidade fluvial da região e deixou 600 mil habitantes sem água.
- Antes, eu descia a tarrafa e pegava seis quilos de peixe. Agora, para ver um peixe é difícil e, quando tem, ninguém compra nada. Outro dia, peguei uns camarões e, na venda, a senhora disse: "É do Pomba? Nem pensar...". - diz Nem, segurando dois caximbaus miúdos.
Já no Paraíba, a biodiversidade do rio parece ter se recuperado mais rapidamente. Em São Fidélis, a colônia de pescadores Z-21 comemora a fartura de manjubas no rio. De acordo com o presidente, Joacy Ferreira Gonçalves, foram pescadas 25 toneladas só no primeiro trimestre deste ano.
Isaura Fraga explica que o dano ambiental não se prolongou porque os resíduos tóxicos não eram conservativos, portanto não se fixaram no rio. Segundo a Serla, estudos mostraram que os peixes do Pomba e do Paraíba estão próprios para o consumo. Um estudo elaborado pelo engenheiro químico José Roberto Araújo, no entanto, mostra que os sedimentos de pontos por onde passou a água contaminada apresentam contaminação, ainda que em níveis reduzidos, por compostos de dioxinas e furanos, que podem provocar câncer.
Jornal: O GLOBO Autor:
Página: 25
Caderno: Primeiro Caderno
REGIÃO CONCENTRA 11% DO PIB DO PAÍS 11/04/2004
São 6.100 indústrias ao longo do vale em três estados
A bacia do rio que corta três dos principais estados do país - Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo - sempre ostentou o título de mais importante para a economia nacional. Atualmente, as 6.100 indústrias instaladas no vale, tendo à frente a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), são responsáveis por 11% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. No passado, contudo, a região do Rio Paraíba do Sul foi ainda mais importante para o país. O historiador Milton Teixeira conta que, no século 19, durante o ciclo do café, a região reuniu algumas das maiores fortunas do mundo:
- Era uma das regiões mais ricas do mundo, onde habitavam figurões como o comendador Joaquim José de Souza Breves, dono de 70 propriedades e de cidades inteiras, como Mangaratiba, e bairros, como Sepetiba.
A região, antes da chegada do homem ocidental, era ocupada por índios goitacazes no Norte Fluminense e puris e coroados Rio Paraíba acima. Paraíba, em tupi, significa rio (pará) grande (iba). Os indígenas foram caçados para trabalhar em lavouras. O solo, com pequenas ondulações que escoavam no rio, à época era considerado ideal para o café. Além disso, as estações definidas (seca e chuvosa) da região facilitavam essa cultura. Assim, segundo Teixeira, em 1780 o chamado "ouro verde" chegou ao vale, pelas mãos de mineiros, próximo ao Rio Paraibuna.
- Dali, espalhou-se como uma mancha de tinta por diversas cidades, como Resende, Valença, Piraí, Mendes, Vassouras, que logo tornaram-se grandes centros produtores de café. Na safra de 1884/1885, só no Vale do Paraíba, foram colhidos 2,6 milhões de sacas de café - lembra Teixeira.
O solo logo chega à exaustão e filhos de pioneiros cafeicultores abandonaram o negócio. A agricultura e a pecuária tornaram-se, então, uma alternativa. As primeiras indústrias surgem do beneficiamento de alimentos, como leite e carne, no fim do século 19. Logo estradas cortando os três estados do vale são abertas e, em 1941, surge na região a Companhia Siderúrgica Nacional.
Jornal: O GLOBO
Edição: 1 Página: 24
Caderno: Primeiro Caderno