Laboratório de
Hidrologia e Estudos de Meio Ambiente
COPPE/UFRJ
Sábado, Janeiro 31, 2004
Mais Notícias Regionais
Cidade será a 14ª no país a tratar 100% de esgoto
Fernando Siqueira
Iniciativa: José Laerte explica sua preocupação com a qualidade do meio ambiente
Quatis
O Ministro das Cidades Olívio Dutra é esperado em março na cidade para inaugurar a estação de tratamento que tornará Quatis o 14º município brasileiro a tratar 100% o esgoto. As obras civis chegaram ontem a 80% e, no próximo mês, chegam os equipamentos de filtragem, cuja instalação é a última etapa do projeto. A estação que está sendo construída vai tratar o esgoto do Centro e da área urbana, que representa mais de 70% dos 11 mil moradores da cidade. O esgoto do restante dos moradores dos distritos de Falcão e São Joaquim já é 100% tratado.
Uma rede de três quilômetros de tubos interceptores, em fase final de construção, vai levar o esgoto residencial para a estação de tratamento localizada na margem esquerda do Rio Paraíba, na entrada da cidade. Com a entrada em funcionamento da unidade, será despoluído o Rio dos Quatis, que recebia toda a carga orgânica produzida, e que era lançada no Paraíba. O projeto de R$ 1,1 milhão, do qual a prefeitura participou com R$ 220 mil, foi financiado pelo governo federal.
MEIO AMBIENTE - Na estiagem de 2001, Quatis passou por uma crise em seu sistema de água e esgoto. Os mananciais secaram e até os rios que cortam o Centro da cidade não tinham correnteza suficiente para arrastar o esgoto neles lançados. O prefeito José Laerte D¿Elias (PMDB), recém empossado, esteve a ponto de decretar estado de calamidade pública temendo doenças causadas pelo acúmulo de esgoto nos rios.
- O meio ambiente é uma de nossas prioridades. Nossos planos para breve são do desenvolvimento do agroturismo em toda a área rural do município - contou o prefeito.
Há dois meses, ambientalistas de Quatis reagiram contra a poluição do Rio Preto causada por hoteleiros e moradores de Visconde de Mauá, na Serra de Itatiaia, em Resende. Para chamar a atenção das autoridades, foi rezada uma missa dentro d¿água, no trecho em que o rio corta Quatis, dividindo os estados do Rio e de Minas. O projeto do agroturismo do prefeito envolve toda a região da divisa, onde várias fazendas estão se transformando em hotéis. Em conseqüência do ato, a prefeitura de Resende acelerou as obras da estação de tratamento de esgoto de Visconde de Mauá.
Ameaça foi feita durante reunião com representantes da CSN, Feema e comissão de moradores do Volta Grande IV.
Flávio Toniolo (PMVR)
Volta Redonda
O prefeito Antônio Francisco Neto (sem partido) ameaçou ontem fechar o pátio de escória da CSN do Volta Grande IV se forem confirmadas as denúncias de que o local oferece risco à saúde dos moradores do condomínio de 600 casas, que fica próximo ao depósito. A declaração foi feita na presença do gerente-geral de meio ambiente da siderúrgica, Luiz Cláudio Ferreira Castro, durante a reunião com a presidente da Feema (Fundação Estadual de Engenharia e do Meio Ambiente), Isaura Fraga, com uma comissão de moradores e o bispo emérito da Diocese Barra do Piraí-Volta Redonda, dom Waldyr Calheiros.
Por ter deixado o encontro antes, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Carlos Henrique Perrut, não ouviu a declaração de Neto, visivelmente irritado com a morosidade das providências para esclarecer as suspeitas sobre a possibilidade de o depósito causar risco à saúde. A intervenção do prefeito ocorreu depois de duas horas de discussões, em que a CSN afirmava que tanto o depósito de escória como as duas células enterradas no chão com cinco mil toneladas de resíduos químicos não oferecem problemas à saúde dos moradores do condomínio.
- Se vocês tiverem razão, está na hora de fechar o pátio - disse Neto, dirigindo-se à comissão de moradores.
O sindicato, que até agora estava fora dos debates, é o responsável pelo empreendimento, lançado há quatro anos, que vendeu os imóveis a metalúrgicos por meio de financiamento pela Caixa Econômica Federal.
A deputada estadual Cida Diogo (PT) pediu a intervenção da Fiocruz (Fundação Instituto Oswaldo Cruz) no caso para apurar os casos de doenças que, segundo os moradores, teriam sido contraídas por causa do depósito de escória. Ontem, os moradores voltaram a citar casos de doenças que eles acreditam terem sido causadas por causa da proximidade com o depósito. Segunda-feira, técnicos paulistas da empresa canadense Waterloo, especializada em contaminação, e da American Driling Perfurações, começam a analisar o pátio, as células e a região em torno onde está localizado o condomínio Volta Grande IV. Técnicos da Fiocruz também estão sendo aguardados para examinar os moradores.
Na próxima segunda-feira, os envolvidos na questão se reúnem para traçar a minuta do encontro do dia 17, quando deverão ser anunciadas novas medidas sobre o problema.
CSN diz que escória não prejudica saúde
O debate mais acalorado ficou entre o bispo dom Waldyr Calheiros e o gerente-geral de Meio Ambiente da CSN, Luiz Cláudio de Castro, que reagiu quando o religioso disse que "quem pagaria a conta seria o pobre". Dom Waldyr também criticou o prefeito da época (1996) por não ter recorrido à Justiça para embargar o projeto do condomínio aprovado pela Feema e pela Caixa Econômica Federal para ser construído numa área próxima ao depósito de escória. As duas células de rejeitos químicos já estavam instaladas no local onde as casas foram construídas.
Segundo Luiz Cláudio, as pilhas de escória, que chegam a 15 metros de altura, já estavam no local antes da construção do condomínio. Segundo o gerente, o lado das pilhas voltadas para a casa receberam um revestimento vegetal, tornando-se uma barreira para que os ventos não levem o pó na direção do condomínio. Mas, de acordo com a comissão de moradores, isso na prática não estaria funcionando. Além disso, o depósito está 30 metros distante das casas, diz a comissão.
- A CSN só justifica a distância, mas não vê que os ventos continuam soprando na direção das casas. Os pobres que se danem - disse o bispo.
- Tem que ter fatos e dados. Não se trata de que os pobres que se danem - retrucou o gerente de meio ambiente.
Segundo o gerente da CSN, as duas células acumulam cinco mil toneladas de lama da estação de tratamento contendo ferro e manganês, oleosos e blocos de concreto com graxa, produtos que não oferecem risco à saúde, acondicionados numa proteção blindada. Ele disse ainda que qualquer vazamento seria denunciado pelos poços existentes em volta das células, que contêm água e que são monitorados pela CSN. Mesmo que vazassem, o avanço dos produtos seria de dois centímetros por ano, explicou Luiz Cláudio Castro.
Isaura Fraga rebateu as críticas à Feema, afirmando que não estava na presidência do órgão quando o projeto do condomínio foi aprovado, mas que já abrira inquérito para apurar a falha.
O líder da comissão de moradores do Volta Grande IV, Luiz Eduardo Belini Ferreira, comemorou o resultado do encontro de ontem, dizendo que "Neto colocou a CSN de encontro à parede" e que agora acredita que as reclamações que ele vinha fazendo e que já chegaram ao Ministério Público Federal vão ser apuradas.
Prefeitos vão negar permissão para oleoduto passar na região
Medida tomada pela governadora é para pressionar Petrobras a construir refinaria no Estado do Rio
O governo do Estado do Rio está reivindicando à Petrobras que seja construída no Estado do Rio, de preferência na região Norte do estado, onde se localiza a Bacia de Campos - a maior área de produção de petróleo do Brasil -, uma refinaria para processar o petróleo bruto. O interesse, além dos impostos a serem gerados, é na quantidade de empregos que o investimento traria.
No entanto, a Petrobras já manifestou a intenção de levar o petróleo bruto do Estado do Rio para ser refinado no estado de São Paulo, através de um oleoduto. A empresa já apresentou à governadora o plano para a obra, que, segundo a empresa, prevê investimentos da ordem de R$ 4,65 bilhões, criará 34 mil empregos, diretos e indiretos, na sua fase de implantação, e gerará mais arrecadação para 19 municípios fluminenses.
O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, fez questão de esclarecer à Governadora e secretários que a implantação do oleoduto é uma obra totalmente desvinculada da decisão de construção de uma nova refinaria no País, uma vez que se trata de projeto para escoar o aumento da produção de petróleo do litoral fluminense.
A governadora, que vê no plano o fim das pretensões do Estado do Rio para conseguir a refinaria, pretende impedir a construção do oleoduto, sem o qual a movimentação de petróleo será mais dependente do transporte por navio, com reflexos, em curto e médio espaço de tempo, na confiabilidade e flexibilidade do abastecimento das refinarias localizadas no Sudeste (Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo).
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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
Notícias Regionais
Feema vai apurar denúncias no bairro Volta Grande IV
Neto se reúne com presidente da Feema para discutir denúncias feitas por moradores
Críticas: Neto reúne-se com moradores e diversos representantes da sociedade, como Dom João Maria Messi, para discutir denúncias contra CSN
Volta Redonda
A presidente da Feema, Isaura Fraga, que ontem reuniu-se com o prefeito Antônio Francisco Neto no Palácio 17 de Julho para se posicionar sobre as denúncias de poluição ambiental no Condomínio Volta Grande IV, na zona leste, retornará à cidade dia 28, para participar de um encontro decisivo sobre a questão. A comunidade denuncia que o conjunto habitacional estaria contaminado por resíduos de produtos químicos e atingido pela poluição atmosférica provocada pelas partículas de pó de escória e de carvão de um pátio de rejeitos da CSN localizado ao lado.
Por mais de duas horas, Isaura Fraga debateu com Neto, o bispo dom João Maria Messi e a comissão que denunciou o problema ao Ministério Público. Já teria ocorrido uma morte, e várias outras pessoas estariam doentes por causa da contaminação do solo e do ar, segundo os moradores. O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, responsável pela construção do condomínio há nove anos, e que até agora estava de fora da discussão, será convocado para a reunião do dia 28, assim como a própria CSN.
O empreendimento foi considerado eleitoreiro e envolveu também o ex-governador Marcelo Alencar, que esteve na cidade na época do lançamento da obra, em 1996. Apesar de Isaura Fraga ter dito que não estava na direção da Feema na época, Neto culpou o órgão por ter aprovado o projeto.
Isaura Fraga contou que em 2000, quando surgiram as primeiras denúncias, a Feema constatou a contaminação do solo. Até hoje, quando chove, segundo os moradores, brota do chão um líquido branco que seria o cálcio componente da escória aterrada para a construção do condomínio. Segundo a CSN, o resíduo não afeta a saúde. A empresa estaria contratando uma empresa canadense especializada para fazer uma nova análise de solo.
- Não posso me responsabilizar pelo o que foi combinado. Era um terreno da CSN pedido pelos funcionários para fazer as casas. Já era um aterro. Uma firma paulista fez a avaliação geral da área. Foi avaliado que havia risco em algumas casas, que depois a CSN comprou e demoliu. As células foram fechadas. Tirá-las dali seria mais perigoso - disse.
O engenheiro ambientalista, Gil Portugal, que já dirigiu a divisão de meio ambiente da CSN, disse que embora já estivesse fora da empresa na ocasião do projeto do condomínio Volta Grande IV, recomendara uma análise detalhada do terreno ao Sindicato dos Metalúrgicos: "Não fizeram porque não quiseram".
Moradores também reclamam de poluição atmosférica
Além da contaminação do solo, os moradores do Volta Grande IV afirmam que também estão sendo atingidos pela poluição atmosférica. Os montes de escória - rejeito que contém resíduos químicos resultantes da fabricação do aço na usina da CSN - ultrapassam os 15 metros de altura, enquanto a legislação estabelece que eles não podem ir além dos quatro metros. A mesma legislação determina que o depósito de escória deve ficar pelo menos a um quilômetro distante de concentrações urbanas. No entanto, ele está a menos de 100 metros do Volta Grande IV. O vento dominante passa antes pelos montes de escória e atinge o condomínio.
Embora tenha feito apenas uma intervenção, o bispo dom João Maria Messi sugeriu que a CSN seja convocada para a próxima reunião para dar explicações. Já o prefeito Antônio Francisco Neto (sem partido) foi mais incisivo.
- A CSN há muito tempo deixou de se preocupar com o social. O Poder Público de 1997 para cá assumiu o social que a CSN abandonou - disse Neto.
O vice-presidente da Feema, Ricardo Rotenberg, aproveitou a reunião para explicar que o órgão aprovou há três anos o aterro sanitário do município, que não está funcionando porque o Ministério Público Federal foi contra o projeto.
- Lamentavelmente, o Ministério Público Federal mal assessorado por seus peritos suspendeu a licença de operação - disse.
O vereador João Thomaz (PPS), que provocou o assunto sobre o aterro sanitário, disse que o chorume que vaza do "lixão" está poluindo a Floresta da Cicuta, considerada de alto interesse ambiental, e o Rio Brandão, que corta a mata e depois passa pelo Centro da cidade.
CSN descarta risco à saúde dos moradores
Em nota enviada ao DIÁRIO DO VALE, a CSN informou que as avaliações e mediações feita pela empresa no condomínio, no pátio de beneficiamento da escória nas células de resíduos, no bairro Volta Grande, comprovaram que não existe qualquer tipo de risco à saúde dos moradores. A empresa disse ainda, de acordo com a nota, estar à disposição para repetir os testes no local com o acompanhamento da comissão formada pela comunidade, de autoridades municipais e da Feema.
A CSN ressaltou também ter a intenção permanente em estabelecer o diálogo com a comunidade e atuar em conjunto com ela para esclarecer dúvidas ainda existentes e garantir que não há qualquer risco relacionado com suas operações.